Pesquisar este blog

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Essência salutar

Se papel e caneta alimentam meu vício de escrever, a amizade alimenta meus neurônios. Difícil explicar essa dedução, mas não custa tentar.

Os neurônios estão ali, esperando para serem empurrados para alguma coisa, aí vem aquela amiga ou amigo e desanda a falar. Pronto, ativou os neurônios!

Pior é que os neurônios não querem dormir, parece que estão funcionando com pilha recém carregada. Eles olham para o relógio e ameaçam desligar se os minutos continuarem rodando tão rápido. O relógio não se amedronta e os neurônios nem se importam com essa vigília, só querem continuar perscrutando palavras para a reportagem que está aberta na tela, para 3 aulas que estão também abertas na tela e vai tudo pulando de um arquivo para outro e as páginas vão crescendo.

O papo com a amiga qual era? Nem lembro mais, mas que foi bom, isso foi!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Meu vício, meu eu... eu Cyrano


Por que raios essa fulana que ama palavras sai sem um papel em branco sequer na bolsa? O que deu em mim?

Dizem que é difícil deixar um vício e agora sou obrigada a concordar. Tenho tentado me apartar do vício das palavras, de carregar sempre um bloco de anotações para não perder nenhuma delas nessa mente idiota que não consegue guardar nada por mais de uns poucos minutos. Mas, como é difícil!

Vira e mexe bate o desespero. Ontem bateu no meio da fisisoterapia, aproveitei a deixa de me pedirem um palpite e logo pedi papel e caneta, porque não consigo pensar sem eles. Logo lembrei da terapia para cortar o vício e disse que não precisava mais... sinto ainda a dor das palavras que se foram sem que eu pudesse tingi-las no papel!

Devo confessar que tenho burlado o esquema de tratamento e inúmeras vezes ponho ao menos uma caneta na bolsa e, na ausência da folha em branco, escrevo nas bordas de um panfleto qualquer ou até mesmo nas páginas da revistinha de palavras cruzadas que vem com sudoku, porque não gosto mesmo de fazer.

Talvez eu nunca consiga perder esse vício, no fundo me apeguei tanto a ele, que sinto como se fosse um amor que só me faz bem. Acho que vou deixar para lá essa história de querer me apartar dos meus blocos e diversas canetas que carrego, porque me sinto muito pior cada vez que enfio a mão na bolsa e não acho nem o papel, nem uma caneta sequer... essa abstenção provoca um vazio enorme, nem sei explicar onde sinto, me toma por inteiro.

Hoje me deu de novo, bateu forte. Escrevi nos poucos espaços e até mesmo sobre o texto impresso de um papel que nos deram sobre a luta para excluir o BBB da vida dos viciados nesse programa idiota. Não menosprezo as palavras que lançam nesse movimento, peço desculpas aos criadores do texto, mas eu precisava sair da crise de abstenção, a culpa foi do meu eu tão “Cyrano” de ser. Já, já explico no próximo texto.

Pós inserção de foto: A foto não se trata de um texto digitado sendo editado por uma caneta, na verdade, invadi mesmo o texto dos outros para escrever o meu, como já havia explicado e pedido desculpas no que publiquei antes.

Eu, Cyrano? É talvez!

Um amigo, que sequer ia ver a peça perguntava: quem vai fazer Cyrano? E a Roxane? Não sei, nem me interessava, porque eu ia ver Cyrano e Roxane. Naquela curto espaço de tempo eles nada mais eram que Cyrano, Roxane, Le Bret, Ragueneau, Christian e os demais, esses, menos me tocam a alma, mas são importantes no contexto. Nenhum deles parecia carregar seus “eus” naquele momento.

Como Cyrano, inúmeras vezes já fui tachada de sonhadora e idealista, mas que posso fazer se ainda creio que as pessoas podem ser, ao menos por uma fração de segundo, lúcidas como Christian o foi antes da morte, compreendendo que o amor de Roxane era inabalável pela alma de Cyrano e não por sua beleza inóspita?

E a palavra que martelava minha cabeça o tempo todo era “orgulho”. Por que raios as pessoas preferem deixar o orgulho vencer seus sentimentos? O orgulho de não se deixar ferir pelo amor ou pela opinião alheia, opinião essa que, geralmente, é pautada em uma verdade de quem não conhece a verdade daquele a quem julga.

Cyrano viveu em sua solidão por se orgulhar do seu próprio orgulho... uma pena!

Um conselho: se pretende ir ao teatro ver tal peça, não vá para depois orgulhar-se de dizer que foi ver Cyrano de Bergerad, vá para se despir de você mesmo e sentir o quão é tão similar àqueles personagens. Se não consegue fazer isso sozinho, eu até alugo minha amiga. Ela é ótima em interpretar a si mesma e aos outros, dentro de cada uma daquelas almas que naquele palco desabrocharam. Mas, vai sair caro, afinal, amigas assim não se acha em qualquer canto, tem que merecer muito estar na presença delas.

Ah! Ia me esquecendo de sanar a curiosidade do meu amigo: Cyrano e Roxane, subiram ao tablado nos corpos de Bruce Gomlevsky e Júlia Carrera, pena que ele não quis saber quem seriam os demais!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Viajei na Veneza alheia

Poderia ser uma data qualquer, mas é 02 de janeiro de 2012, o sono não vem, talvez pelo café ingerido quase 7 da noite, talvez pela incômoda sensação de que tenho que planejar este novo ano, ou, quem sabe, porque me sinto incomodada e convocada a continuar lendo “Mil dias em Veneza”, da americana Marlena de Blasi, indicado pela minha alergologista, se é que podemos chamar algum médico de nosso, já que o dividimos com tantos outros pacientes.

Confesso que agradeço o susto que tomei ao parar no pronto socorro com aquela baita crise alérgica que só uma injeção de adrenalina pôde curar. Não só pelo fato de ter saído saudável de lá, mas por ter sido o mote de eu ir parar nesta pretensiosa médica, que afirmou com tamanha convicção que eu ia gostar desse romance, tornando impossível ficar longe do meu vício de possuir palavras.

E, assim, cá estou eu, nesta segunda madrugada de início de ano, nutrindo o mesmo vício da leitura voraz. Não posso dizer que me sinto a própria personagem, mas a tendência é ela se tornar uma grande amiga, já que há tanto em comum.

Começamos bem essa amizade íntima, o nome do seu amado “estrangeiro” é o nome do meu filho, e não foi à toa que escolhi, simplesmente sou apaixonada por esse nome. Também sou jornalista e embora não seja o que possam chamar de mestre cuca, dou meus voos rasantes na cozinha, principalmente, na essencial identificação culinária que ela tem com os pães em geral. Mas, tudo isso são coisas secundárias diante dos sentimentos tão similares.

Andei mantendo meu coração fechado porque enferrujadas engrenagens teimam em não funcionar, às vezes penso que abri, mas logo ele se retrai, escapa e corre para o porão, onde pode se manter ileso em sua solidão. No fundo ele nunca se manteve totalmente trancafiado, sempre dava suas escapadelas, mas sempre foi muito ponderado e, se em sua dona sempre faltou o raciocínio lógico, esse coração sempre gabaritou nesse quesito.

Essa Marlena é tão indiscreta que até revelou meu valioso segredo sobre a listinha do “positivo e negativo” que faço toda vez que começo a pirar com minhas paixonites agudas. Ah! Não tem remédio melhor para me curar que fazer uma lista com mais pontos negativos que positivos, ou que mesmo em menor número, estes sejam tão perturbadores que não há como continuar trilhando de mãos dadas com tal ser tão defeituoso.

Ainda estou na metade do livro, mas sinto que algumas feridas se abrem e outras se cicatrizam ao ler sobre o karma alheio.

Quando escrevi essa avalanche acima não imaginava que ao final do livro ia sentir saudade dele. Só me resta dizer obrigada pela indicação, Doutora, e muitos e muitos dias de felicidade, seja aqui ou em qualquer lugar do mundo. E, com certeza seguirei seu conselho e lerei os demais livros da autora.

Como podem ver, caros leitores, andei ocupada e não foi só o livro que me afastou, pois só o comprei na última semana de dezembro. Aquela velha história de correrias, freelas, decisões, estudos e no fundo era mesmo aquela preguiça mental, aquela do tipo não querer escrever só por escrever. Quando escrevo gosto de degustar as palavras e eu estava degustando essas sozinha, mas resolvi deixar de ser egoísta e deixar a dica desse belo romance da vida real para quem quiser degustar Veneza, cardápios diferentes e o amor, ainda que dos outros.