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sábado, 16 de novembro de 2013

Minha voz sou eu... me ouçam

À vezes ela sibila palavras, como se quisesse falar baixinho em meu o ouvido e me deixo seduzir. Penetro em sua tristeza e compartilho do seu torpor. Ela grita e meus ouvidos querem mais, aumento o som. Ela canta suavemente e me entrego, compartilho. Aprendo a letra, tento cantar junto, mas ela não deixa... esse momento é dela e eu invado sua intimidade, o suficiente para saber que uma voz como essa já não está mais aqui. Então choro!

Ela nasceu, 19 em janeiro de 1943, numa sólida família de classe média, na cidade de Port Arthur, localizada no Estado do Texas, nos Estados Unidos da América.  Com apenas 17 anos já retratava o gosto pelos sons do blues e do folk em pinturas e poesias e levantava aplausos nos bares de Houston e Austin, no Texas. Realizou seu sonho em 1965 e foi cantar na Califórnia, mas em 1966, desempregada, voltou para Austin e cantou em uma banda country por alguns meses. Depois disso, o amigo que se tornou seu empresário, Chet Helms, levou-a para a banda Big Brother, que tocava em San Francisco. E, foi junto dessa banda, que ela conheceu o empresário Albert Grossman, após o show no “Monterey Pop Festival”, em 1967. Quando a platéia ficou extasiada durante sua interpretação para a música “Summer Time”, sendo a seguir contratada pela gravadora Columbia Records. Ela já disparava rumo ao sucesso, cuja sina de ser inesquecível estava escrita na força de expressão contida em sua voz.

Era a única cantora branca da época que, com sua voz rouca e sensual, se atrevia a cantar blues feito uma negra. Debaixo de críticas entusiasmadas e outras nem tanto, o albúm “Cheap Thrills” foi um recorde de vendas.

Em 1969, a comunidade hippie se reuniu no maior de todos os festivais de rock, o “Woodstock”. Janis Joplin marcou seu espaço junto a outros cantores de sucesso como Joan Baez, Santana Joe Cocker, Jimi Hendrix e outros que viviam a era hippie, com suas roupas coloridas, simples e soltas, típicas da geração paz e amor.

      Após o sucesso do primeiro LP com os Big Brothers, a gravadora Columbia Records assinou contrato e o álbum Cheap Thrills, com o single "Price of My Heart", conquistou o disco de ouro. Passado um ano, Joplin resolveu deixar os Big Brother, mas participou de algumas faixas do álbum deles, “Be a Brother”, lançado em 1971. Seguia sua carreira, nessa mesma época, com o guitarrista Sam Andrew. Compuseram então a segunda banda, que foi denominada de Kozmic Blues, um de seus sucessos musicais, composta por Janis Joplin e Gabriel Mekler.

Ela possuía tudo aos olhos de quem a via sobre um palco, mas se sentia feia e chegava a considerar sua voz insossa, sem encanto, mesmo uma multidão vibrando em suas apresentações, como revela, na biografia “Love, Janis”, escrita por sua irmã e psicoterapeuta, Laura Joplin.

No momento de enfrentar a platéia ela vestia uma coragem que não lhe pertencia e hipnotizava a platéia, não se contentava se não participassem daquele momento que lhe era tão precioso, onde poderia se encher de rebeldia contra seus próprios sentimentos e soltar a voz.

Comedimento era uma palavra fora do seu vocabulário, ela se entregava ao amor, à música, às drogas, às amizades, numa ânsia desesperada de encontrar conforto. Certa vez sua mãe lhe perguntou porque gritava tanto, sendo que tinha uma voz tão bonita e Janis disparou a resposta: “- Para você sentir o que eu sinto!”, relatou Myra Friedman, companheira de trabalho de Janis durante grande parte de sua carreira, no livro “Enterrada viva”, outra biografia que revela alguns momentos da vida de Janis.

Há quem diga que ela é a rainha imortal do rock, mas no fundo, a espécie de música que ela entoava era algo só dela, não se classificava entre os já conhecidos tipos. Ora ela se envolvia num blues, ora se entregava à alegria do country, ora cantava num tom debochado, ora sussurrava como a dividir segredos. Mas apesar de sua versatilidade musical, na década de 60, Janis era a rainha branca do blues.

A escritora Alice Echols escreveu no livro “Scars of sweet paradise”, que no Brasil foi batizado de “Janis Joplin: uma vida. Uma época”, que Janis queria casar e ter filhos e assim, andava entusiasmada em 1970, falando em se casar-se. Estava cantando com a banda Full Tilt Boogie e ia produzir o álbum Pearl (que era seu apelido). Mas em 4 de outubro de 1970, o corpo de Janis Joplin foi encontrado sem vida com picadas de agulha recentes no braço, num quarto do Hotel Landmark, em Hollywood. 

No obituário consta que a injeção de heroína fora aplicada pela própria Janis, mas concluía que a morte foi involuntária por aplicação de dose de droga excessiva, mas algumas pessoas e veículos de comunicação interpretaram como suicídio, o que levou o empresário, Jonh Cooke, a ficar indignado, porque não acreditava que ela tenha desejado se suicidar.

Ela morreu aos 27 anos, três meses após a morte de Jimi Hendrix. Foi cremada e realizaram seu desejo jogando as cinzas na costa da Califórnia. Mas sua obra e figura imortal continuou a ser reproduzida em CD´s, filmes, livros, sites, comunidades, revistas, camisetas e jovens que sequer conhecem sua história, fecham os olhos ao ouvir suas músicas, depois saem a buscar resquícios de sua voz pelo mundo. O maior sucesso em sua discografia aconteceu dois meses após sua morte, com o LP "Mee and Bob McGee", como prova de sua imortalidade.

No filme The Rose, gravado em 1979, estrelado por Bette Midler, foi feito um relato de sua carreira, tomando por base o teor do livro “Enterrada Viva”. Com tantas obras como biografias, filme e relatos que surgem de fontes diferentes e fidedignas, como da irmã ou da amiga que trabalhou junto a ela, talvez já se possa conhecer um pouco mais de Janis Joplin, mas nunca chegar à real e imortal Janis. Compreender as letras de suas músicas é como desvendar o ser humano escondido em sua voz, porque as músicas de Janis Joplin não foram feitas para serem ouvidas, mas sentidas.

Por: Yara Verônica Ferreira


DISCOGRAFIA:
Love, Janis (2001)
Super Hits (2000)
Janis (1975)
In Concert (1972)
Pearl (1970)

NOTA DA AUTORA: Texto baseado em pesquisas realizadas em 2003, editado em 16/11/2013.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Palavras são sempre poderosas


Sempre amei as palavras e sempre repito essa declaração de amor, por mais cansativa que possa parecer.

Por conta desse amor pelas palavras, sempre tenho muitos livros começados, alguns até sou obrigada a recomeçar porque me perdi nas histórias dos outros já terminados. Mas, em compensação há alguns que a gente lê em poucas horas, porque a sede é tanta de degustar cada história por trás de tantas palavras, que fechar o livro, mesmo que seja por alguns instantes, parece um suplício, é como se a água fosse acabar e a sede continuasse ali.

Eu tinha que aprender a só comprar outro livro quando tivesse terminado de ler um único, mas o vício de comprar é tão forte, quase tanto quanto de ler.

Eu parei o do Kotler, sobre Marketing, que estou adorando, “Os Imperfeccionistas”, “O Estrangeiro” e ainda passei por cima do “A Saga Brasileira” da Miriam leitão, que estou louca para começar e abri o “A Queda”, que acabei de receber hoje, ainda no metrô, a caminho da faculdade para o segundo turno da minha jornada dupla de trabalho.

Já estou no passo 165, mirando a foto, mas tive que fechar, porque já ia chegar em casa. Todos esses passos foram dados, em pé no metrô, um pouco sentada no ônibus e alguns em pé caminhando ou subindo escadas. Inúmeras vezes tive que fechar o livro, não porque havia outra atividade, mas para respirar fundo e sentir o forte pulsar do coração.

Agora, enquanto relembro de alguns trechos e deixo meus dedos percorrerem rapidamente de uma tecla a outra, pus no repeat o Bolero de Ravel, que é uma música que me acalma e emociona ao mesmo tempo, mas, principalmente, combina com a descrição minuciosa de uma Itália que viveu momentos que mais pareceram um turbilhão de emoções, tanto nas remotas épocas que nem vivemos e que Mainardi descortina, quanto pelos passos cambaleantes até “a queda”.

Sempre gostei de ler a coluna de Diogo Mainardi na Veja, justamente pela acidez, mas, as palavras são tão poderosas e muitos de nós não sabe usar. Há os que se perdem na força que elas dão à vida que corre a nossa volta e dentro de nós.

Justo eu que gosto de apreciar os quadros de Claude Monet, me deparei com uma nova forma de não esquecer de alguns detalhes de sua pintura, porque há certos sentimentos que são absolutos e tomam conta em tempo irrestrito de nossas vidas... assim é quando se tem um filho... uma única vitória régia a tingir toda nossa tela!



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Nossos encontros


Absurdo? Que nada! Eu já havia desligado o note, apagado a luz e o travesseiro já havia me agarrado, mas as palavras não queriam dormir. Pulei da cama, acendi a luz e caneta em punho danei a escrever sem parar, afinal, convenhamos: é muito mais gostoso desandar na escrita à moda antiga que dedilhar no teclado.

Essas avalanches de palavras são costumeiras, mas o mote dessas é mais costumeiro ainda, por se tratar de encontros com meu anjo da guarda, e não dava para deixar passar batida uma cena como essas!

Caminhávamos pela Berrini, a amiga matraqueando sem parar. Eu nem queria interromper porque ela estava com fome de falar, como eu tenho de escrever. Mas... foi inevitável!

- Flor, desculpe por te interromper, mas você tem certeza que não passamos do lugar que vai me levar?

Ela estancou com olhar desesperado! Olhou para todos os lados para se achar no meio de sua bagunça mental. Era hilária a carinha de perdida dela, mas depois de rodar, a cabeça a quase 360º, ainda tomada pelo susto da interrupção, me respondeu cheia de hesitação, querendo acreditar em sua própria resposta:

- Não, ainda não passamos não!

E caímos na gargalhada por todas as vezes que descemos do metrô na estação errada, muitas vezes depois da certa, mas até antes da certa já fizemos a proeza de descer. Extensos ou curtos trechos, não importa, vale a gargalhada antes de fazer o percurso de volta porque nos perdemos do momento certo de parar, sempre por conta da loucura das palavras que bailam, ora nos lábios dela, ora nos meus.

Eu levei quase um ano para achar esses escritos e digitar, agora, essa Flor está grávida, mas acredito que um bebê vai é deixar ela mais acelerada, porque o meu filhote já tem 25 aninhos e eu continuo desligada igual, descendo em ponto errado até quando estou a caminho de casa!

Alguns já disseram a ambas que precisamos de terapia, mas a gente nunca deixou a terapia de lado, fazemos há anos a mesma terapia: a das palavras... e acredite, tem dado resultado. Mesmo diante dessas pequenas confusões, podemos garantir que nunca nos perdemos de nossos caminhos de vida! Isso é que importa!

sábado, 7 de abril de 2012

Sendo o que nasci para ser

Por Yara Verônica Ferreira

Enxurrada, tempestade, avalanche, sei lá que palavra usar, só sei que tudo parece se encaixar: planos, sonhos, projetos, textos, aulas, amizades. E, como sempre, tudo se resume em muitas palavras.

Ao fechar os olhos, sinto melodias suaves soprando em meus ouvidos e nem sei a origem. Ao cruzar a Marginal Tietê todas as noites, percebo fachos de luz em tom ocre iluminando pequenos pontos na água suja, e, ainda assim são belos. Nesse momento, as músicas parecem gritar dentro de mim, extravaso, tento cantar baixinho para não assustar os demais passageiros.

Não há como explicar essa magia que brota de sentir o sangue profissional pulsando forte, querendo mais, viajando nos próximos encontros, preparando mentalmente o próximo momento de doação. Só me resta suspirar e sentir!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Licença de professora

Dizem que dá medo, frio ma barriga, ansiedade, nervosismo, medo e sei lá mais o quê! Eu só lembro de uma coisa, entrei tão feliz naquela sala de aula, que nem pedi licença, aquele era o meu habitat natural.

Não aguentei nem chegar todos os alunos, fui falando, perguntando o nome a cada um que entrava e falei, falei, provoquei, mas eles estavam no estado que talvez eu devesse estar: tensos.

- Essa intrusa, talvez eles tenham pensado! Mas eu estava ali, com toda licença para ser a professora.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A ausência de mais palavras de Eike Batista

Entendam bem o porquê digo que me decepcionei com o livro “O X da questão” de Eike Batista, afinal não houve ojeriza a tal ponto que eu parasse de ler. Pelo contrário, li em apenas 3 dias e entenda-se 3 dias por poucas horas de folga, como vai e vem em transporte público, durante as sessões de fisioterapia e os famosos minutos antes de dormir, já que sempre me cai bem no processo de digestão devorar palavras, até mesmo para obter uma noite de sono restaurador.

Na verdade, senti foi falta de mais palavras de Eike Batista. A trajetória dele é muito rica e infelizmente os resumos tão micro sintetizados não me permitiu entender cada surgimento de negócio e a forma como executou. Como ele próprio explica, “X“ é o símbolo da multiplicação, então, eu esperava encontrar muitos “Xis” que fossem aulas de multiplicação, que ensinassem outros empresários e até mesmo políticos a executarem as tarefas adequadas para se chegar a um ideal.

Por mais que haja uma forte bagagem ideológica em questões de agir corretamente, seja com pessoas ou com o meio ambiente, senti falta de detalhes sobre como ele age diante de um problema qualquer com colaboradores ou que tipos de ações e como implantou para beneficiar o meio ambiente.

Ah! Se esse Eike me dá chance de perguntar muito, transformaria esse livro em no mínimo umas 500 páginas! E não tenho a pretensão de ser a biógrafa, apenas de ser sua editora, aquela que o ajuda a escolher as melhores histórias e faz uma limpeza de repetições de ideias e palavras desnecessárias.

Critico, sim, o tanto de frases de auto-ajuda, que poderiam até fazer alguma diferença em algumas partes do livro e até serem usadas como ponto “X” durante toda a narrativa, mas não deixaria se repetirem, ainda que de outras formas.

Se algo me marcou na leitura? Claro! E aqui deixo para todos a essência do que o move, mais que ganhar fortunas e, que, sinceramente, meu “eu Cyrano”, sempre sonhou ser mais “Eike” nesse ponto, porque não basta sonhar, temos que realizar.

“Alguém me perguntou certa vez a diferença entre milhão e bilhão. A distinção mais significativa está no universo de pessoas que vão desfrutar o produto de uma riqueza, na magnitude do que o empreendedor vai gerar para a sociedade. Afora isso, não há diferença.” Eike Batista

Nesse quesito, posso me orgulhar de dizer que não fiz meu milhão em dinheiro, mas bem sei quantas pessoas já incentivei a seguir adiante em seus sonhos, apenas com a força das palavras.

E registro, sem o menor pudor, a minha inveja dos colaboradores de Eike Batista: adoraria fazer parte de uma de suas equipes.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Essência salutar

Se papel e caneta alimentam meu vício de escrever, a amizade alimenta meus neurônios. Difícil explicar essa dedução, mas não custa tentar.

Os neurônios estão ali, esperando para serem empurrados para alguma coisa, aí vem aquela amiga ou amigo e desanda a falar. Pronto, ativou os neurônios!

Pior é que os neurônios não querem dormir, parece que estão funcionando com pilha recém carregada. Eles olham para o relógio e ameaçam desligar se os minutos continuarem rodando tão rápido. O relógio não se amedronta e os neurônios nem se importam com essa vigília, só querem continuar perscrutando palavras para a reportagem que está aberta na tela, para 3 aulas que estão também abertas na tela e vai tudo pulando de um arquivo para outro e as páginas vão crescendo.

O papo com a amiga qual era? Nem lembro mais, mas que foi bom, isso foi!